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DJ CLAYSOUL EM ENTREVISTA
DJ CLAYSOUL EM ENTREVISTA
DJ CLAYSOUL EM ENTREVISTA

Por Luanda Negreira

Luanda Negreira - Quem é o “DJ ClaySoul” e desde quando iniciou suas correrias?

ClaySoul -  Se fôssemos traduzir ao pé da letra, seria “Alma de Barro”, mas o que mais cuido é da alma calorosa, impulsivo de fato: brasileiro, carioca, mangueirense, flamenguista e negrão, quer mais o quê? Marco o meu início com a chegada de 1 par de toca-discos e 1 mixer, em Janeiro de 1985, um presente de Natal quando conclui o ensino fundamental e meu pai me perguntou o que eu queria. Certamente, nem ele imaginava a escolha. Daí por diante as festas e depois os bailes e grandes eventos. Mas eu já convivia no meio do entretenimento desde berço.


LN - O que te influenciou a ser um DJ?

CS - Não tenho como falar sobre minhas influências sem citar um pedacinho da vida de meu pai, Didi da Cuíca, que se dividia entre Músico, Passista e Soul Man, no início dos anos 70’s, quando eu nasci e fui nutrido de muito swing, soul e samba. E o fundamental foi o convívio com familiares e amigos de meu pai, envolvidos direta e indiretamente com música, somando o meu primeiro contato com o saudoso baile da equipe Cash Box no Clube do Magnata no bairro do Rocha, subúrbio carioca.


LN - Qual a importância de ser um DJ?

CS - Acredito que é levar o entretenimento, atendendo ao seu povo e a sua época, como os grandes artistas têm que ser. Formador de opinião musical, é o maior intermediador na divulgação da música entre a gravadora e o público consumidor. O DJ tem o seu valor interino no mercado fonográfico.


LN - Quais as suas influências musicais?

CS - Eu sempre naveguei de forma eclética em todas as esferas musicais, como DJ de festas tocando todos os gêneros e sempre pesquisando sobre os mesmos, mas é na Black Music que me especializei seduzido pelo Soul, Swing, R&B, Funk, Rap e o Samba. O encanto veio a partir das pesquisas das senzalas brasileiras e americanas, nascedouros da árvore Black Music, que foi ganhando suas vertentes, e suas influências como identidade cultural e nos grandes movimentos populares.


LN - Como você vê hoje o hip hop carioca?

CS - Como música, ainda suprimido pela ascensão do ‘funk carioca’, mas anda lançando novos talentos paralelo as oportunidades do mercado nacional que aguardam no anonimato do Cenário Black Carioca vistos como underground. Agora, falando de Movimento Cultural Hip-hop, eu tenho o prazer de participar e testemunhar de entidades sérias, como a LUB, que praticam de forma lúcida e transparente os elementos junto as Crew’s espalhadas pelo Rio de Janeiro.


LN - O que mudou que na sua opinião não deveria ter mudado?

CS - A forma de analogia, digamos assim, nas performances dos discotecários, como prefiro ser chamado. O avanço da tecnologia facilitou o acesso em massa de novos adeptos a profissão que está por ser regulamentado no Brasil e foi prostituída pelo oportunista que desvaloriza a mão-de-obra.


LN - O movimento hip hop carioca carece de?

CS - Vou listar três sugestões particulares: 1ª) Intensificação das musicas nacionais; 2ª) Boas lideranças, fora os ‘Capitãs do Mato’ das épocas atuais e; 3ª) Informações esclarecedoras sobre o verdadeiro propósito do movimento cultural. Eu indico, por exemplo: o livro “Acorda Hip-hop” do DJ TR.


LN - Você tem um trabalho que mistura os ritmos do hip hop atual com uma levada afro. O resultado é surpreendente. O que te levou a este tipo de criação?

CS - Na realidade quem criam são os mais variados talentos escondidos no anonimato. Eu só exerço a minha função de levar ao público o som que acredito ser a melhor opção de mensagem através da musica. No meu playlist: Jottacê, Lino Criz, Marcelinho BeatChoro, João Xavir, Hannah Lima, Davi Moraes, Don Negrone, Pregador Luo, Srta Paola, Magno C4 e mais uma rapaziada boa que me permitem uma performance de horas e horas ‘100% Nacional’, como podem conferir no soul-balanco.blogspot.com, juntando os renomados artistas: Seu Jorge, Marcelo D2, Thaíde, Sandra de Sá, Zé Ricardo, Racionais MC’s e assim vai a lista que “Deu Black no Samba!”, título que atribuo a esse verdadeiro encontro das senzalas.


LN - Projeto pra este ano?

CS - Inflamar as pistas de dança com muito Black nacional e reafirmar assim, o SoulBalanço para os próximos anos. Se Deus permitir, o verão 2010 será do reconhecimento da Musica Negra Brasileira.


LN - Agora vamos fazer um bate-bola:
Hip-hop e política:

CS - Estamos falando de um movimento que também é de resistência que tenta evitar os atrelamentos partidários. Imaginem o hip-hop no mundo inteiro aderindo à política de seus países, uns capitalistas, outros socialistas ou comunistas... O perigo da política com o Hip-hop é a sedução pela corrupção que leva a contramão dos discursos e princípios. A expressão espontânea do improviso foi salientada no movimento cultural, justamente, por denunciar e criticar a realidade política do mundo.

Movimento afro e movimento hip-hop:

CS - Andam de mãos dadas quando há compreenção dos seus valores e a consciência de suas contribuições nas ações-afirmativas raciais.


Hip-hop estrangeiro:

CS - Não é aquele vendido pela televisão. Só acredito nos mandamentos de Afrika Bambaataa.

Finalizando, deixe um recado para nossos internautas

CS - Obrigado ao público que esquecemos às vezes de agradecer. Vocês são a verdadeira motivação de colocarmos a agulha no vinnyl e soltar o som. Pesquisem por outros sons, principalmente os nacionais, que a mídia não repete todo dia em teus ouvidos. Paz!!!

Tags: Luanda negreira, Trip ghetto, Dj claysoul
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